China lança Tianwen-2 para coletar amostras de asteroide e estudar objeto próximo da Terra

A China lançou com sucesso, em 23 de maio de 2025, a missão Tianwen-2, que pretende coletar amostras do asteroide 469219 Kamoʻoalewa e, posteriormente, investigar um cometa ativo. A missão, realizada pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA), demonstra ambições crescentes do país em consolidar-se como protagonista na exploração do espaço profundo.

O lançamento foi feito a partir do Centro Espacial de Wenchang, usando um foguete Longa Marcha 5. A espaçonave não tripulada entrará em órbita solar e deverá alcançar o asteroide dentro de alguns anos, onde realizará operações de observação, coleta de material e retorno à Terra previsto para 2031.

Por que Kamoʻoalewa?

O asteroide Kamoʻoalewa é um quase-satélite da Terra — ele compartilha a órbita do planeta e permanece relativamente próximo em termos astronômicos. Com cerca de 40 a 100 metros de diâmetro, esse corpo rochoso pode conter material primitivo, pouco alterado desde a formação do Sistema Solar.

Há também indícios de que ele possa ter se originado da própria Lua, tornando-se uma rara oportunidade de estudar possíveis fragmentos lunares e processos de ejeção após grandes impactos.

O que a Tianwen-2 vai fazer?

A missão é dividida em duas fases principais:

    Coleta de amostras de Kamoʻoalewa:A espaçonave vai orbitar o asteroide por cerca de 4 meses, usando câmeras e espectrômetros para mapeamento e análise da superfície. Em seguida, fará um pouso controlado para coletar material com um braço robótico.Rumo a um cometa ativo:Após liberar a cápsula de retorno com as amostras, a sonda seguirá para o cometa ativo 311P/PANSTARRS. Essa segunda etapa permitirá investigar a atividade cometária em um pequeno corpo celeste, expandindo o escopo da missão para além da coleta de material.

    Avanços técnicos e científicos

    A Tianwen-2 testa múltiplas tecnologias avançadas:

    • Propulsão elétrica para longas distâncias.

    • Sistemas autônomos de navegação e coleta.

    • Amostragem em ambiente de gravidade extremamente baixa.

    O sucesso desta missão poderá abrir caminho para futuras expedições a Marte, aos planetas exteriores e até à coleta de amostras de objetos interestelares. Cientistas da Nature e do New York Times destacam que a missão pode responder a perguntas fundamentais sobre a origem da água e da vida no Sistema Solar.

    O papel da China na nova era da exploração

    Após o sucesso das missões Chang’e 5 (que trouxe amostras da Lua) e Tianwen-1 (que colocou um rover em Marte), a Tianwen-2 posiciona a China entre os poucos países com capacidade comprovada de explorar o espaço profundo com retorno de amostras.

    A CNSA já planeja a missão Tianwen-3 para coletar material de Marte na próxima década. Além disso, está envolvida no desenvolvimento de uma estação lunar internacional com a Rússia e outros parceiros.

    E o que vem a seguir?

    Com retorno previsto em 2031, os materiais coletados de Kamoʻoalewa poderão esclarecer aspectos da formação terrestre, composição de asteroides quase-terrestres e evolução do material rochoso no espaço próximo à Terra.

    Se for bem-sucedida, a Tianwen-2 marcará a primeira coleta e retorno de amostras de um asteroide desse tipo. A comunidade científica internacional observa com grande interesse o desenrolar da missão, que poderá influenciar a próxima geração de missões espaciais interplanetárias.

Fontes:

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