
O Papel do Telescópio James Webb
O avanço nas observações foi possível graças à tecnologia infravermelha do James Webb, que permite analisar a composição atmosférica de exoplanetas distantes. A detecção de DMS (dimetilsulfureto) é especialmente intrigante, pois, na Terra, esse gás é produzido por fitoplâncton e outros organismos vivos. No entanto, os cientistas alertam que ainda são necessárias mais observações para confirmar se a origem do composto é biológica ou geoquímica.
Cautela e Otimismo na Comunidade Científica
Embora a descoberta seja animadora, os pesquisadores enfatizam que não há confirmação definitiva de vida em K2-18 b. Outros processos, como vulcanismo ou reações químicas não biológicas, também poderiam explicar os dados. A próxima etapa inclui novas análises com telescópios mais avançados, como a missão PLATO da ESA, prevista para 2026.
Estudo publicado na renomada revista científica “The Astrophysical Journal Letters” revela a presença de metano, CO₂ e possíveis traços de DMS no exoplaneta K2-18 b, reforçando a hipótese de um mundo potencialmente habitável.
Uma equipe internacional de astrônomos, utilizando dados do telescópio espacial James Webb (JWST), anunciou a descoberta de moléculas orgânicas na atmosfera do exoplaneta K2-18 b, localizado a 120 anos-luz da Terra. Os resultados, publicados em 14 de setembro de 2023 na revista The Astrophysical Journal Letters (acesse o estudo aqui), sugerem que o planeta, situado na zona habitável de sua estrela, pode ter condições favoráveis à existência de vida.
visualização hipotética feita pela NASA
k12-18 b
Um Planeta na Zona Habitável
K2-18 b orbita uma estrela anã vermelha na chamada “zona habitável”, onde as condições podem permitir a existência de água líquida — um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos. Com um tamanho entre a Terra e Netuno, o planeta é classificado como uma “super-Terra” ou “mini-Netuno”, e estudos anteriores já haviam detectado vapor d’água em sua atmosfera.

Por Que Essa Descoberta é Importante?
Se confirmada, a presença de bioassinaturas em K2-18 b seria o primeiro indício concreto de vida fora do Sistema Solar, reforçando a hipótese de que a vida pode ser comum no universo. Enquanto aguardamos mais respostas, a busca por exoplanetas habitáveis continua a todo vapor — e cada nova descoberta nos aproxima de responder a uma das maiores perguntas da humanidade: estamos sozinhos no cosmos?
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K2-18 b: Um Mundo Diferente da Terra, Mas com Potencial
Classificado como um “Hycean world” (um exoplaneta com um oceano global sob uma atmosfera rica em hidrogênio), K2-18 b tem:
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Tamanho intermediário entre a Terra e Netuno (cerca de 2,6 vezes o raio terrestre).
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Uma órbita na zona habitável, onde a temperatura poderia permitir água líquida.
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Uma atmosfera espessa, que pode abrigar um oceano superficial ou subsuperficial.
Cautela na Interpretação dos Dados
Apesar da empolgação, os cientistas destacam que:
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O DMS ainda não foi confirmado de forma conclusiva – mais observações são necessárias.
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Processos não biológicos (como vulcanismo ou reações químicas exóticas) também podem explicar os compostos detectados.
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A alta concentração de hidrogênio na atmosfera torna K2-18 b muito diferente da Terra, o que exige novos modelos para entender sua habitabilidade.


